<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368</id><updated>2011-07-30T22:03:11.610-07:00</updated><title type='text'>Universo Dissoluto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-9138065596845847358</id><published>2010-01-13T08:29:00.000-08:00</published><updated>2010-01-13T09:26:34.959-08:00</updated><title type='text'>Um crime chamado saudade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje eu me sentei num banco. Não sabia que o faria, mas, no fundo, eu tinha uma intimidade com ele, por isso o fiz. Nós nos sentamos nele há 4 meses atrás. Por isso ele me era tão familiar. Encontrei ele quando meu cigarro ainda estava na metade. Então decidi terminar ali mesmo, onde tudo começou. Sim, por que quem éramos nós há 4 meses atrás? Éramos dois meninos, aprendendo a viver e a brincar. Aliás, as brincadeiras por elas próprias eram nossas lições de vida. E no compasso do tempo, a vida ia impondo tarefas mais árduas. Embora sufocante, não se ausentava de nós - mas se atirava em nossos braços. Nessa entrega residia o desencontro, pois volta e meia isso me impedia que eu te abraçasse. E então essa ausência se fez habitual, nas duas últimas semanas. Eu simplesmente voltava a ser o que sempre fui... Novamente me desgosto. Esse jeito irritado, atrapalhado e perdido; a cabeça saía rolando facilmente. É fato que o amor me ensinara a ser mais gentil com o mundo e comigo mesmo. E por isso acho que devo tanto a você e ao seu carinho. No entanto, por mais que eu queira recompensar, existe uma vírgula que nos separa. Como dois nomes citados, onde a ordem não importa. Mas se me perguntassem meu nome hoje, eu diria vírgula. Sim, vírgula, ou simplesmente faria um silêncio breve antes de dizer Milton. Nunca fui fã de nome composto, mas acho que é um oportunidade para adotar um. , Milton. Sobrenome? Acho que não... Algumas vezes pensei adotar um pseudônimo, mas no caminho fiquei com medo de me perder. E se eu disser que sem ele estou perdido?  Acho que eu queria mudar de sobrenome, embora eu saiba que "Quando eu tiver alguém que me ame muito, não precisa sobrenome, pois é o amor que faz o homem." Isso quer dizer que esse nome não é falso, emprestado, nem muito menos roubado. Isso significa que eu gostaria de me casar! Sim, foram planos como esse que sonhamos aqui neste banco. Alguns 4 meses parecem pouco, mas passou voando. E hoje somos adultos com um mundo cheio de problemas nas mãos. Pra complicar, boa parte desses problemas têm vida própria ou são gente. E o que somos nós, afinal? Seres que desejam se encontrar e se pertencer. Somos vítimas do caos que é a sequência do tempo, que nos sensibiliza e torna quase que insuportável o peso dos nossos defeitos mais leves. Veja, meu amor, nós não temos culpa. Aqui estivemos, aqui estaremos - sempre. Aquele momento no banco até parece morto. O lugar mudou tanto... Tantas pessoas se sentaram ali e deram tantas festas como nós demos, dois pobres que alugavam um banco de rua para juntar amigos, beber, fumar e ser feliz. Foi tanta coisa que se perguntarem ao banco, ele nada sabe, nada viu. Tudo está igual, mas está tão diferente... Por que o mundo mudou e me levou o gosto saboroso que tinha o amor. Fiquei sem mãos, sem pés, sem cabeça. Fui decomposto, parte a parte... E se perguntarem o que sobrou de mim, vou dizer: só lembranças. E se me perguntarem o que sou, devo dizer: não sei (mais). Me debruço diante de mim, e na rua vou a cada lugar que fomos juntos, cada memória que contenha você, e isso é o que me sustenta para te encontrar outra vez, por que... Até quando? Até quando, esse absurdo? Nos levaram um do outro e esse foi um crime que não sei se saberei perdoar. Por que mais que a própria morte, a saudade me mata; cada dia um pouco mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-9138065596845847358?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/9138065596845847358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=9138065596845847358' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/9138065596845847358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/9138065596845847358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2010/01/um-crime-chamado-saudade.html' title='Um crime chamado saudade'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-4668589110748819992</id><published>2009-12-29T15:16:00.001-08:00</published><updated>2009-12-29T15:52:37.797-08:00</updated><title type='text'>Migalhas de luz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recife reluzia como há muito eu não via. Enquanto eu atravessava uma ponte, eu via a margem contornando a água, se expandindo, pouco a pouco, torneando cada curva de onda, até a outra margem. A luz que havia era a luz da noite - Era noite. Havia uma lua, cheia, no céu. Além dela, a cidade também relampejava, desde os edifícios mais distantes até os que eu chegaria em instantes. Cada poste era uma migalha deixada do caminho que eu seguia. Além disso, era Natal. A cidade estava muito bonita, com suas praças e avenidas. Eu tinha vontade de chorar vendo o Recife assim. O Natal sempre me deu um nó na garganta, mas tudo estava especial como nunca. Ao chegar à Ilha do Recife, entrei numa das ruas que pra mim é uma das mais conhecidas. Estranho que àquela hora não tinha ninguém... Mas sentei-me por ali. Há anos eu ia àquele lugar, dia e noite. Frequentava também sorrisos e corações. E sempre que eu chegava em casa eu tinha uma espécie de regozijo, de prazer automático. Era a sensação que o dia havia passado e a missão, cumprida. Tudo brilhava, brilhava, até meus olhos marejarem também. Eu estava só. Então me levantei e comecei a seguir as luzes. A única solução para minha escuridão, era seguir as luzes. Ia seguindo-as,  como quem - novamente - segue as migalhas para um local determinado. Eu poderia andar de olhos fechados por aquelas ruas, mas dentro do meu coração eu não me sintonizava direito, não me encontrava. Os caminhos eram escuros e eu não conseguia ver além... Não doía, mas me dava medo. Medo de que eu pudesse encontrar além. Eu só precisava de uma luz para poder seguir. Alguém roubara as lâmpadas da minha casa. E eu acordava, todas as manhãs, e ainda assim era noite. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De migalha em migalha, fui prosseguindo. Migalhas... Essa palavra é engraçada. Quase me sentindo João e Maria, fui lembrando de tudo o que vivi. Tantas pessoas passaram por mim e só contribuíram para que eu me encerrasse, cada vez mais, em mim. Frequentemente, vendo o jornal, eu tinha vontade de chorar, e não entendia como o mundo podia ser tão cruel - como as pessoas podiam ser tão cruéis, umas com as outras. É muito triste ver quantas pessoas ficaram pra trás, quantos planos foram destruídos... Fui me acostumando com migalhas. E ainda assim, algum propósito levou-me até ali. E quando tudo se fez cinza, alguém me ajudou a acreditar que nem tudo estava perdido. Foi tudo tão difícil, mas alguém mostrou que podia ser fácil, e eu passei a me acostumar com o muito. De repente, eu me senti, desta vez, João sem Maria, e eu seguia as poucas pistas que ela me dera. Um futuro nebuloso estava ali. Meu alicerce eram o que as ruas de Recife me davam de alimento. Me faziam recordar dos momentos que passamos ali juntos - rindo, falando, brigando, chorando, nos amando... Faz somente uma semana que você partiu, mas me deixou uma saudade imensa. Uma saudade tão grande que tudo escureceu. Talvez essa seja única parte chata de amar. Às vezes eu imagino a gente bem velhinho. Quem vai morrer primeiro? Quem vai sofrer primeiro? E quando um de nós partir, será que haverá um recomeço - mesmo sem o outro? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só quero que saiba que estou lutando para recomeçar mais um ano. Este ano me deu você, espero que não tire de mim também. Porque estou esperando você voltar: aqui, nestes lugares que nossas memórias permeiam. Sempre que eu olhar o mundo, ele trará uma lembrança sua. E onde quer que você esteja, sei que essas migalhas estarão me levando até você. Por favor, me espera! Lembrei então de uma virada de ano que passei... Eu corria pela praia desesperadamente, procurando alguém. Eu ia para um lado, e entre uma pessoa e outra nenhum conhecido. Até que deu meia noite; os fogos começaram, as pessoas gritavam, brindavam, se abraçavam; ainda choravam e felicitavam-se por mais um ano de vida. E eu estava só. Minha única reação foi encostar num carro e olhar para os fogos de artifício. Ali, acho que nem rezar eu consegui. Eu só queria ter alguém para abraçar. Ah, se você existisse nessa época... Eu teria uma estrela pra me apegar, e arrancar esperanças de algum lugar. Mas passou e eu consegui. Vim te seguindo até aqui, mesmo sem saber. Se você não estiver vindo pelas minhas pistas, saiba que eu estou indo pelas suas. Espero que possamos passar juntos esta virada de década. E se não estivermos, saiba que eu estarei encostado em um carro, olhando uma estrela, numa noite como esta. E novamente estarei desejando te abraçar. Eu te amo, Maria. João. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-4668589110748819992?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/4668589110748819992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=4668589110748819992' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4668589110748819992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4668589110748819992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/12/migalhas-de-luz.html' title='Migalhas de luz'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-1934560696315524692</id><published>2009-10-22T17:43:00.000-07:00</published><updated>2009-10-28T08:06:20.145-07:00</updated><title type='text'>Agora eu sei</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro amor doeu. O segundo, o terceiro... Também. No fim das contas achei que nunca tivesse amado nada. Pra mim foi uma surpresa descobrir que o amor pode ser alegre e feliz - e somente o é assim. Há quem passe a vida se enganando, mas quem ama verdadeiramente não precisa de grandes gestos ou de uma euforia a cada hora, muito menos da dolorosa concepção de amar.  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me lembro que algumas vezes sofri por alguém. Hoje isso me parece engraçado, pois nem mesmo no sofrimento fui correspondido. No fim das contas, cheguei a conclusão mais simples de todas, embora a mais complexa de se aceitar: o amor só acontece quando há correspondência; seja por um gesto, uma palavra, um olhar, um sorriso... Agora eu sei a resposta, mas o que mais me machucava era o fato de que, antes mesmo de sofrer, eu já sabia que iria sofrer, por que eu já sentia que aquela pessoa não servia pra mim (ou eu não servia pra ela). Enfim, eu já sabia que não ia dar certo. Premonitoriamente,  lá estava eu sofrendo.  Estava antecipado, mas era o meu jeito de me sentir menos triste na separação definitiva.  É muito triste um relacionamento que termina. Só de pensar em um casal que eu nunca vi na vida terminando, fico sentido. Faz sentido, uma vez que pra mim não tinha dado certo, pelo menos até agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso me faz lembrar quando as coisas não vão bem. É meio impossível tudo ir sempre às mil maravilhas.  Estou falando de brigas... Não são agradáveis de lembrar, mas nos fazem crescer. Afinal, o que as motiva é o amor. A gente briga pra defender o que é nosso. O amor ou o ego - não importa. Não sou do tipo de ter orgulho, por isso cedo; pra mim o que importa é vê-lo sorrir. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da última vez,  lembro que seu olhar contemplava o chão. Eu estava em pé, próximo a rua. A cidade respirava toda aquela ansiedade, pois tudo estava tenso. Depois do pedido de desculpas, eu ofereci uma carona.  Ele não quis; eu insisti. Insisti várias vezes... O sol batia no meu rosto e em sua nuca... Era quase uma cena de filme nas calçadas do Recife.  Recife é muito poético, por isso amo-o também. E amava ainda mais, pois ele estava aqui em Recife. Podia ser João Pessoa. Rio de Janeiro, Buenos Aires, Bangladesh... Mas não, ele estava ali, por algum motivo. Eu só queria ficar bem, mas nele ainda residia o orgulho. Foi então que me deixei levar, e me despedi. Enquanto ia em direção ao carro, pensava naquela tristeza que me consumiria durante o dia inteiro que ainda estava por vir. E a única coisa por que eu esperava é que ele me telefonasse em algum momento; momento este que eu não saberia se viria, ou que, por mais ligeiro que viesse, na minha dor, seria a eternidade. Nós dois erramos, nós dois pecamos. Mas o pecado maior era negar tudo aquilo que éramos - e, já adiantando, ainda somos e seremos. Ele ligaria, mas e se não ligasse? Uma hora vai passar... E se não passar? E se foi o limite? Ali poderia ser o fim... Mas eu não sabia que o amor era sem limites. Foi quando tudo mudou: ao chegar no carro, senti um vulto vindo por atrás de mim. Era ele voltando, era ele sorrindo: era o amor. E eu pude sentir que a felicidade estava voltando para casa. Eu sabia, embora que o medo de perder permita que eu me perca: ele estava me amando, e eu amando ele também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei que doeu, mas eu sei que tudo melhora. E agora, eu sei que o diálogo é o que rege o tudo. E o silêncio, que rege o diálogo. E o tédio é só uma história mal contada. O agora está cada vez mais único. Agora eu entendo muita coisa, embora não entenda outras. Contudo, mais do que nunca, agora eu sei mais. Sei que sou feliz, sei que sou amigo, sei que sou eu; sei que tenho força, sei que posso forçar, se eu querer, ou se for querido; sei que posso mudar, que posso ser mudado; sei que tudo acontece, sei que posso amar - da forma certa - e que posso ser amado. Sei que me perdi, mas, agora, sei que me encontrei. Quando tive consciência disso - agora - tudo começou a acontecer da forma que eu sempre quis. Agora eu sei que tudo está realmente acontecendo. Agora eu sei que você existe; agora eu sei que o amor existe - e que ele mora em nós.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-1934560696315524692?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/1934560696315524692/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=1934560696315524692' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/1934560696315524692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/1934560696315524692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/10/agora-eu-sei.html' title='Agora eu sei'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-4074326767074798180</id><published>2009-10-17T15:01:00.000-07:00</published><updated>2009-10-17T15:27:15.752-07:00</updated><title type='text'>Brigas</title><content type='html'>A raiva passou.&lt;br /&gt;Depois vem a falta,&lt;br /&gt;A imensa falta,&lt;br /&gt;Que você me faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você duvidou,&lt;br /&gt;Questionou meu querer,&lt;br /&gt;Meu bem querer,&lt;br /&gt;Abalou nossa paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me julga&lt;br /&gt;Por um segundo&lt;br /&gt;Pequeno segundo,&lt;br /&gt;Que não pude estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você me culpa&lt;br /&gt;Por causa do mundo&lt;br /&gt;Os erros do mundo&lt;br /&gt;Não me quer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você sabe,&lt;br /&gt;Você entende bem&lt;br /&gt;Que sou eu&lt;br /&gt;Quem mais o quer bem.&lt;br /&gt;Mas inverteu,&lt;br /&gt;Você duvida&lt;br /&gt;Da minha resposta,&lt;br /&gt;E complica&lt;br /&gt;A minha proposta,&lt;br /&gt;Diz que fui eu&lt;br /&gt;Quem esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você foi,&lt;br /&gt;Foi pois queria,&lt;br /&gt;Por que eu também  queria&lt;br /&gt;O seu convite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você foi&lt;br /&gt;E é só tristeza,&lt;br /&gt;É nossa tristeza,&lt;br /&gt;Também estou triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... Por que não volta?&lt;br /&gt;Aquela alegria,&lt;br /&gt;A nossa alegria,&lt;br /&gt;Ainda existe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-4074326767074798180?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/4074326767074798180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=4074326767074798180' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4074326767074798180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4074326767074798180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/10/brigas.html' title='Brigas'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-3249998891722807477</id><published>2009-10-08T18:14:00.000-07:00</published><updated>2009-10-12T18:40:52.437-07:00</updated><title type='text'>Depois do sono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei me sentindo meio idiota, hoje. Abri os olhos de uma forma estranha, engoli seco e senti uma sensação que eu já conhecia. Tenho facilidade de me sentir idiota. Mas fazia tempo que eu não sentia isso. Tudo anda maravilhosamente bem. Ontem eu bebi até pouco, dormi cedo... Mas acordei assim, meio sem mim, meio faltando um pedaço e com vontade de me encontrar. Estava atrasado pra variar, mas nem corri. Meus pés ainda doíam da noite anterior. Tomei um banho qualquer, um café com um gosto qualquer... Queria que chegasse logo o fim de semana e poder ficar mais a vontade no travesseiro, na cama. Mais sem pressa... Mas sabe, correr às vezes é bom, principalmente agora, mas esse nervosismo não me deixa muito nervoso - pelo contrário, fico no marasmo. Peguei a agenda e fui ver o que eu tinha pra fazer naquele dia: odeio quando não lembro as coisas. Não tem nada a ver com nada, mas eu preciso deixar isso bem claro. Minha memória anda muito fraca e, por vezes, também temo enfraquecer. O dia é repleto de coisas vazias; pegar ônibus, chegar, escrever, cumprimentar, digitar, comunicar (parcialmente), calar, assistir, sair... Quando chegar em casa estarei mais caco do que já estou, talvez faltando mais um pedaço.  Sorri ao lembrar - sem precisar da agenda - que você chega amanhã. Fiquei tão feliz, duplamente. Eu estaria mais radiante e eu ainda tinha capacidade de me recordar. É, eu lembro... E ficaria muito triste se eu não o pudesse. O esquecimento de todo seria uma falsa salvação. Me lembrar de você me faz  sorrir, me faz sentir uma solidão que me faz bem. Hoje li que para existir a mais perfeita solidão é preciso achar a companhia ideal. E acho que é por isso que ultimamente o mundo me soa tão falso e eu tenho me excluído dele. Ando distante de tudo e todos, mas ando pensando muito. E, quanto mais dentro de mim, vejo retratos seus e decoro o meu quarto com flores, ouço discos de vinil e acendo velas. Lembro datas, oportunidades, compromissos, risos, lágrimas. Lembro de você, principalmente, pois lembro sempre que tenho um coração. O coração é tão rápido e tão constante que na pressa a gente não o sente bater. E confesso que não gosto de perceber os batimentos - dá a impressão que eu vou morrer; na verdade, acho que significa que estou vivendo demais.  Lembro, lembro o tempo todo. Você não sai da minha cabeça, como jamais alguém conseguiu entrar nela.&lt;br /&gt;Eu certamente me lembrei, mas a agenda ajudaria. Não, não estava programado para a gente se ver hoje. Só amanhã, quando você fosse chegar de viagem. Acho que é por isso estou assim... Ainda faltava um dia inteiro, que me obrigaria a atravessá-lo sem me queixar. Mas como ia doer... Eu lembrava. E por isso esquecia... Sua lembrança é tão grande, me consome - eu esquecia o resto. O que era o resto? Só lembrava que queria que chegasse amanhã. E eu mal tinha começado a esperar. E o dia mal tinha começado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-3249998891722807477?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/3249998891722807477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=3249998891722807477' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/3249998891722807477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/3249998891722807477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/10/depois-do-sono.html' title='Depois do sono'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-5995924651185252188</id><published>2009-05-02T08:15:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T08:52:38.271-07:00</updated><title type='text'>Foi tudo verdade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha mão estava próxima a dela. Minha mão, cansada, repousava sobre um de meus joelhos, o qual estava mais próximo dela. A dela, por sua vez, estava apoiada sobre um de seus joelhos, o qual estava mais próximo de mim. Poderiamos ter nos dado estas mãos, mas preferimos estar um pouco mais livre. O momento necessitava de um pouco de liberdade, até para poder sofrer menos e ter chance de entender melhor. Cada mão portava um cigarro; minha fumaça indo nela, a dela vindo a mim. O calor soprava e eu já sentia que era hora de ir pra casa. Já tinha vivido demais para um dia só. E ela também. No fim da noite, já não havia muito mais o que fazer; as poucas pessoas que ainda restavam por ali passavam longe e voltavam para suas casas, satisfeitos de si e do mundo. Ou quem sabe assim, da mesma forma que nós. Confesso que a preguiça me dominava um tanto - ou eu gosto de sofrer - e permanecemos ali no banco sem coragem de ir viver. Ela também não parecia muito disposta... Podia esbarrar com alguém, sem querer, logo adiante. Esse é o risco. Quando se anda pelas ruas, quando se vai às festas, quando se vai à praia, quando se entra no ônibus, quando se olha pela janela... A pergunta era: e se ele passar? - Ela sentiria aquele mesmo frio; aquela mesma fraqueza nas pernas, o mesmo tremor no coração. Uma manifestação tão grande que ia parecer que tudo permanecia igual a antes. É difícil pra quem sente... Dá vontade de se esconder, as palavras somem, a alma pesa; é como um terremoto submerso dentro de si. E a pergunta seguinte, mais emocional possível, diria: quando vai passar? Quando? Ela também não saberia responder, e eu tão aprendiz quanto, também não conseguia entender tal lógica, nem o sentimento que nos manteve tanto tempo longe da paz - da nossa paz. O que nos faz escravo de um sentimento? Ah, se houvesse ao menos arrependimento. Mas nem há. Tudo valeu a pena, tudo foi tão lindo... Mas acabou; acabou e não deixou nem pista de que existiu. E quando tudo parece mais ou menos sob controle, um simples trocar de olhares  de dois "conhecidos" que se cruzam por aí, desestabilizam, destroem o peito. E a gente vê que não foi nem voltou pra lugar algum: o mesmo lugar, o mesmo sentimento. Não, era melhor ficar ali a noite inteira; deveriamos dormir ali e aguardar até o dia nascer, seria mais seguro. Mas ali, naquela escuridão, seria arriscado demais. Nossos pares poderiam estar por aí, e quem sabe até andando juntos. E qualquer motivo seria o da tristeza, de ver que agora estamos sozinhos, que amamos sozinhos. E quem se ama - está feliz; está por aí tão feliz que pode até nos cumprimentar pela rua: como se nada tivesse acontecido. Ah, minha amiga, só a gente sabe... Quem me dera tudo ter sido uma ilusão. A culpa seria nossa e nossa indignação caberia apenas a nós mesmo. Mas não, foi tudo verdade. Cada dia, cada hora, cada instante que não existe mais.  Nem há mais nada a ser dito, mas nossa pele respirando nos entrega, desnudos na multidão, que um dia ainda nos resolveremos. E até lá só nos resta chorar... Quem me dera esse conto fosse apenas uma história. Mas não, foi tudo verdade.   &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-5995924651185252188?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/5995924651185252188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=5995924651185252188' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/5995924651185252188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/5995924651185252188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/05/foi-tudo-verdade.html' title='Foi tudo verdade'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-2567487051239977557</id><published>2009-04-23T18:03:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T18:50:51.610-07:00</updated><title type='text'>Dia nacional do choro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já senti isso antes. Tenho certeza que eu já senti isso antes. É uma vontade esquisita do peito se rompendo e os olhos em seguida se enchendo de lágrimas. Mas de costume, alguma coisa aqui dentro - ao passo que quer explodir - enormemente se assusta, se encolhendo. E por fim aprendi a ter os olhos secos; apenas o suficiente para continuarem a enxergar. Mas chorar, não; jamais chorar, ainda mais na frente dos estranhos. Logo mais cedo, eu lia um cartaz no qual estava escrito: Dia 23 de abril - Dia nacional do Choro.  Haveria um dia especial para se chorar? Talvez houvesse uma reunião onde todos iriam, calados e tristonhos, cada um no seu assento... chorar. Imagineium grande auditório no qual não se debatiam nem se questionava nada. Na conturbação do mundo, aquele era um momento incrível. Veja só, você poderia chorar e ninguém ia ligar. Você teria um tempo pra sofrer - em paz. Seria fabuloso! Isso porque é normal sorrir, exprimir a felicidade e os desejos que contemplem todo o mundo. Mas quem quer chorar, nem sempre é bem compreendido - apesar de serem justamente aqueles que carecem um pouco mais de compreensão. Ainda mais estando na minha pele: homem. Não, homem não chora. Homem que é homem, não chora, devora todas (isso mesmo, beleza não interessa) as menininhas, fala palavrão, bebe sem passar mal e usa um vocabulário próprio com os companheiros de masculinidade. Alguma pessoa inventou que homem é sempre forte, que não tem medo, que é a coragem personificada e tem sempre a decisão pronta a tomar, bem como a razão para estar certo em aplicá-la. Algum(a) infeliz inventou que homem de verdade é assim. Alguém sugeriu um disparate e a passividade da sociedade aceitou. Contra isso, eu posso até ser, mas não me manifesto mais. O mundo todo é assim, queira bem ou mal. E já que é pra viver, tenho que me acostumar com isso.&lt;br /&gt;Hoje me deu certa tristeza; e o que mais me irritou nela foi a gratuidade e a justificativa muito pouco ou nada aceitável, ainda mais me conhecendo como sou e aceitando os conceitos que eu considero certos. E sou bem assim, gosto do que gosto, penso o que penso, e há muito tempo aprendi a me contentar com esse estado de existir. Confesso que não é fácil. É o extremo oposto. Mesmo estando bem, tem certos momentos que me canso de tanta incoerência. E, na maioria das vezes, isso acaba por me entristecer. Não dá pra agradar todo mundo, eu sei. Mas quando existe o não-gostar gratuito, pelo menos há uma postura neutra ou ao menos educada para tratar alguém de que não se gosta. É claro que já senti isso, mas hajo assim. Não que eu esteja fingindo, até por conta que sou sempre transparente quanto a meus sentimentos. (Coisa aversa aos homens, vale ressaltar).  Mas tento ser paciente e compreensivo comigo mesmo e com o outro, para talvez quem sabe mudar de opinião. Opiniões mudam, assim como vontades, necessidades, ideias... E por aí vai. Tudo bem, você não gosta de mim. Não há problema nisso... Mas hoje eu me senti vulnerável e especialmente detestado, porque fui tratado com claro repúdio e desinteresse. Não foi preciso de muito não... Eu simplesmente fui ignorado. Enquanto falava, me interromperam de forma brutal por um assunto qualquer, típico dos que se falam quando o silêncio torna-se mais mortal e tenso. E não foi uma simples interrupção, e sim uma cortada literal... As pessoas têm tato, e até absurdo tanta pretensão agir assim e querer passar despercebido. Tive raiva, tive tristeza... Mas não consegui ser indiferente. Seria o melhor pra mim no momento, como geralmente consigo ser. Mas ser assim também tem um preço. Uma vez eu li que "mais vale a vergonha do que a indiferença". Acho que penso mais ou menos dessa forma. Fazia tempo que não me sentia tão escanteado e minimizado; lembrou-me um pouco da infância, da qual tenho mais recordações ruins que boas. Uma criança "diferente", eu era. O que merece? Passar vergonha. Até valia... Mas indiferença é o pior sentimento que um ser humano é capaz de sentir por outro. É em horas como essa que eu tenho vergonha de ser quem sou. Sei que ser assim tem seu preço. Mas deve ser tão caro assim? E com que moeda eu pago? Qual é o dinheiro da vida? Ainda assim poderia ser bem pior - eu podia ser indiferente comigo mesmo. Quem sabe eu estivesse morto, assim. Mas isso é bom; alguém ainda se importa comigo! Mas não, nunca é fácil.&lt;br /&gt;Cheguei ao auditório... Apresentavam-se músicos homengeando Pixinguinha, grande compositor de choro, que aniversariava nesta data antes de sua morte. Ali só havia alegria ao recordar o músico. Achei até graça da minha imaginação que fora tão longe e imaginara tão além... Me sentei em uma cadeira, apoiando a cabeça na parede. Faltavam só algumas horas para eu ser destratado. Mas isso não queria dizer que eu estaria mais ou menos cansado. Eu só queria chorar... Cada cavaquinho, cada violão vibravam suas cordas chorosas, que emitiam gruninhos musicais que no fundo não eram nada: apenas um choro. Era o pranto de alguém, que de tanto chorar só restara aquele modo de aliviar a dor. Viver doía, e o dia a dia consumia tudo isso e mais eu queria desaparecer. Ah, como seria feliz se eu pudesse chorar... Mas até de esperar isso eu já me cansei. E ainda terei tanto aborrecimento pra me abater, tanta estrada torta pra percorrer e queda pra me reerguer.  Depois passa, amanhã já terei outras forças, serei forte. Já chega, por hoje já chega. Se não tenho direito ao choro, me deixem dormir. É o meu modo de escapar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-2567487051239977557?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/2567487051239977557/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=2567487051239977557' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/2567487051239977557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/2567487051239977557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/04/dia-nacional-do-choro.html' title='Dia nacional do choro'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-631469745627057300</id><published>2009-03-28T17:33:00.000-07:00</published><updated>2009-03-28T18:33:54.382-07:00</updated><title type='text'>O acender das luzes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Eu estou só no meu quarto. O vento sopra pela janela, enquanto eu me regojizo da sua doçura sobre mim. Estou no escuro, no mais compleo breu; aos poucos, o mundo se revela pra mim pelas luzes que emanam o mundo. Está escuro, mas não tenho medo; não devo, nem quero acender as luzes. Hoje foi combinado que o mundo inteiro, a determinada hora, iria apagar as luzes durante uma hora, como símbolo de protesto contra o aquecimento global.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Há pouco eu estava na rua, e vim correndo, correndo, porque eu faço questão de apagar as luzes também. Mas eu me atrasara mais uma vez, e como de costume, sofria por amor. Como já me atrasara, fui no ônibus reparando nas luzes, na cidade; e uma coisa nisso me aborreceu horrivelmente. Muitas casas estavam com as luzes acesas: eram terraços, salas e quartos, todos sem ninguém, inabitados, inóspitos. Cada casa tinha um ar hostil, de quem diz - vou usar sim, estou pagando. Olhava os edifícios e neles haviam varandas enormes e sacadas, com luminárias acesas, como um palco iluminado - mas não havia ninguém. Todo mundo sumiu e esqueceu as luzes acesas. E cada esquina que passava, correndo, eu me enraivecia mais e mais. Será que as pessoas são realmente tão egoístas? Ninguém estava disposto a abdicar um pouco da modernidade, do conforto para fazer um gesto simbólico para marcar a história, para defender o mundo, que é seu... Isso me fazer confirmar que as pessoas simplesmente passam pela vida, e ela escorre, se esvai e nunca é aproveitada de forma dignamente intensa. Mesmo assim, eu faria minha parte.&lt;br /&gt;       Cheguei em casa; todos haviam saído e a casa permanecia escura e certamente inóspita ao olhar do mundo. Não acendi um interruptor, se quer. Continuei a passos lentos até os olhos se acostumarem - e enxergarem o mundo de outra maneira. Cheguei no meu aparelho de som e pus um cd novo que tinha comprado mais cedo. O disco rodava e a noite passava deliciosa, como na pré-história, onde só havia eu e eu não precisava sofrer ou ser feliz. O disco entoou um jazz, e eu decidi tomar um banho. Liguei o chuveiro e mergulhei naquela água revirogarante enquanto o piano corria junto àquela voz, e eu assim era capaz de ver minha própria silhueta dançando contra a luz opaca da janela. E se eu visse, perguntaria: é homem ou mulher? Criança ou adulto? Velho ou moço? Rico ou pobre? Branco ou negro?... Não, não haveria resposta, só haveria espaço pra viver: eu simplesmente era.&lt;br /&gt;      Assim passou-se cerca de quarenta minutos. Agora, o mais importante; as poucas luzes que haviam se apagado em prol do movimento se acendiam, vitoriosas cumpridoras do dever que queriam cumprir. E as impassíveis continuavam a brilhar como antes, como se nada houvesse acontecido. E eu? Eu queria permancer no escuro. Estava bem ali; não por estar quase invisível; mas estava feliz... E  já quase esquecia que tinha uma vida pra sofrer. E eu já quase esquecia do meu amor sofrido... Eu estava bem... O mundo cintilava e eu empalidecia de tanta luz. Minha sombra era suficiente. Enquanto tudo se resgatava, se perdia, na luminosidade  dos nossos papéis de humando. E eu me transformava em feliz, na casa escura - porque eu estava aceso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-631469745627057300?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/631469745627057300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=631469745627057300' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/631469745627057300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/631469745627057300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/03/o-acender-das-luzes.html' title='O acender das luzes'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-8383053944166127471</id><published>2009-03-25T18:37:00.001-07:00</published><updated>2009-03-25T18:37:59.821-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>"Boa noite, tristeza;&lt;br /&gt;Acaba agora mais um dia&lt;br /&gt;E junto, uma velha agonia&lt;br /&gt;Por sua vez.&lt;br /&gt;Boa noite, tristeza;&lt;br /&gt;Agora só sei que vou descansar&lt;br /&gt;Adeus, incerteza;&lt;br /&gt;E esquecer que me cansei&lt;br /&gt;E que cansei de cansar,&lt;br /&gt;Cansar de morrer&lt;br /&gt;Sem nunca saber.&lt;br /&gt;Que eu morra dormindo&lt;br /&gt;Ali no cantinho&lt;br /&gt;Quem sabe no domingo&lt;br /&gt;Quando já vou precisar&lt;br /&gt;Ser mais um pouquinho,&lt;br /&gt;Já sem sono.&lt;br /&gt;Corro, fujo, que tolo;&lt;br /&gt;Durmo sem dormir&lt;br /&gt;Pois tenho medo&lt;br /&gt;De longe daqui.&lt;br /&gt;Já pensou no que vai ser?&lt;br /&gt;Posso acordar sem te amar mais&lt;br /&gt;Com espaço até demais&lt;br /&gt;Pra poder preencher.&lt;br /&gt;Até me esqueço&lt;br /&gt;Que sou só sem saber.&lt;br /&gt;Onde está você mesmo?&lt;br /&gt;Em meu coração;&lt;br /&gt;De repente eu mereço&lt;br /&gt;E sofro em vão.&lt;br /&gt;Mas não mendigo,&lt;br /&gt;Digo: Boa noite, tristeza,&lt;br /&gt;Acaba agora uma agonia;&lt;br /&gt;Você some sofrida&lt;br /&gt;Enquanto me espera&lt;br /&gt;De novo raiar o dia.&lt;br /&gt;E se eu acordar só,&lt;br /&gt;Sozinho na cama?&lt;br /&gt;Capaz de pensar&lt;br /&gt;Que ninguém me ama,&lt;br /&gt;A garganta vai dar nó.&lt;br /&gt;E se for verdade&lt;br /&gt;Em que o sono vai dar?&lt;br /&gt;Bom dia tristeza,&lt;br /&gt;Venha me abraçar."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-8383053944166127471?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/8383053944166127471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=8383053944166127471' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/8383053944166127471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/8383053944166127471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/03/boa-noite-tristeza-acaba-agora-mais-um.html' title=''/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-2872155560939932039</id><published>2009-03-15T17:58:00.000-07:00</published><updated>2009-03-15T17:59:44.805-07:00</updated><title type='text'>Ética amorosa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele me olhou com olhos de quem me dava uma última chance. Meu gesto já disse tudo, e sua retenção à porta também; palavras ainda assim foram ditas, mas não em desperdício – em ênfase. Era preciso... Eu sempre enfatizava meu lado feminino na relação ao querer discutir tudo, jogar o branco no preto, usar toda aquela minha criatividade para imaginar resoluções e soluções para reunir ambas as partes, sem parecer um homem. Depois da noitada estávamos alguns passos mais distantes um do outro. As discussões valeram-se para nos estremecer. Mas ali eu queria fazer valer mesmo e realmente expor tudo que eu já expunha com ações para me certificar de que ele já havia entendido tudo mesmo, ou se eu estava mesmo estupefada com sua incongruência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Como eu pensava, ele resolvera não dormir lá em casa, de acordo com o combinado. Fiquei num cantinho, perto, longe, do lado de fora da porta do meu quarto, já quase no corredor. Preparava novamente a pequena bagagem que ele trouxera mais cedo, com roupas, escova de dentes e pente. Ele não ia parar, ainda que meu rosto estivesse gritando por um pouco de atenção: Não saia agora, não, eu quero falar uma coisa ainda. Tá. Ele parou; esperava... As palavras me fugiam, pois eu nunca tinha sido boa com o falar, muito mais cantando de coração ou escrevendo barulhenta num papel quieto; essas eram as formas mais fáceis de ser precisa em mim... Meus argumentos eram relativamente péssimos no instante. Os debates nos quais eu entrava sempre duravam semanas, meses, anos... Eu falava alguma coisa; me respondiam, eu retrucava ainda que não prontamente. Na tréplica eu me emudecia como quem perdera a batalha; voltava para casa, pensava sobre tudo, via os diversos pontos, examinava o campo, as condições, as possíveis reações, as saídas... No dia seguinte eu voltava disposta e excitada para ganhar a guerra. Era algo tão sublime que me fazia até perder o sono. Era quase como me vingar de uma forma engraçada. É bom ver a cara de surpresos dos meus oponentes quando eu voltava já jogando a roupa suja toda no tanque, quando tudo estava aparentemente resolvido e não havia mais o que ser discutido. No meu ver não havia mal nenhum nisso – era o meu modo de estar certa.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; - Gostaria de falar sobre a gente...&lt;br /&gt; - Sobre a gente o quê?&lt;br /&gt; - Sobre nosso amor... Sobre a capacidade de morte do nosso amor.&lt;br /&gt; - Você fala da capacidade dele morrer?&lt;br /&gt; - Não. Falo sobre a capacidade dele nos matar.&lt;br /&gt; Eu não pretendia em nenhum momento assustar, mas já esperava um susto qualquer. Como de costume, ele não esboçara espanto... E o mais espantoso, era que isso ainda me surpreendia. Mas ainda assim eu prossegui, da forma toda que eu pensara no caminho de volta para casa.&lt;br /&gt; Está sendo tudo muito difícil. Somos muito diferentes, mas ainda assim penso que essas diferenças todas somam, que aprendemos muito um com o outro. E que isso é muito bom para crescermos. Você é sempre tão livre, tão jovem... Eu sou mais pacata, mais tranqüila. Mas nem por tanto, isso é motivo para não darmos certo. Somos sempre nós mesmos e isso conta muito, mas ainda há um grande espaço para nos preenchermos. Existem muitas atitudes suas que me desagradam. E você sabe disso, eu já lhe disse. Você é muito egoísta, muito egocêntrico. E hoje você brigou comigo por um capricho seu... Eu estava cansada e estava pedindo por favor para irmos ir embora. Cheguei ao ponto de propor para você ficar com lá com os rapazes e voltar um pouco mais tarde. Eu só queria que você se divertisse, que você ficasse à vontade e que não se chateasse pelo meu cansaço. Sabe, eu não tenho culpa se estou cansada. Tive uma semana cheia, e sei que isso também não é desculpa, pois como você já reclamou isso não seria bem um motivo, pois você também tem seus compromissos. Mas não tenho culpa por não ter o seu fôlego, por não conseguir beber quanto as boyzinhas (odeio o termo!) dos seus amigos. Aliás, não sou nem obrigada a gostar dos seus amigos, como você também não é obrigado a gostar dos meus; mas até agora está indo tudo certo e fico feliz por isso, é um problema a menos que temos. Mas aí quando eu só tentei acertar, você vem com seus pontos de vista só querendo me mostrar que estou errada; vem dizer que eu deveria exigir a sua volta junto comigo, que eu indo você poderia ter ficado com tantas outras mulheres que estavam lá... E você me diz isso como se eu quisesse realmente te deixar lá, como se eu realmente quisesse que você beijasse a primeira garota que passasse muito perto de você, tendo eu mal colocado meus pés pra fora do bar. E se quer saber isso me entristece, pois parece que você não está muito bem decidido assim. Eu sei que o desejo existe, e que isso é normal, mas eu acho que isso é uma questão de confiança. Aí você decide acabar com tudo de vez, e dizer que só confia em si, que pelos outros você não põe a mão no fogo, como se eu fosse tão cruel ao ponto de realmente querer sair dali e te deixar na mão por puro egoísmo, só porque eu estava cansada. E eu te pedi tantas vezes... E você bem que me podia escutar. E ainda fui levar Renata em casa, por um caminho que é longe do nosso. Mas parece que eu sempre estou pelo caminho errado, você é incapaz de reconhecer uma atitude positiva minha, está sempre ressaltando meu lado negativo. Adquirimos uma intimidade grande em pouco mais de um mês, mas nunca houve um gesto seu de transigência. Eu só queria te ver bem, mas aí você deturpa tudo e diz tudo isso... Como poderemos namorar um dia assim? Você destrói qualquer confiança que eu possa ter. E eu digo que ainda não temos nada sério por que eu quero um dia sim ficar com você de vez. E até lá eu construiria confiança e zelo para ficar somente contigo, num relacionamento pra valer. Mas assim vai ser difícil. Mas ainda assim eu quero tentar. Eu gosto de você, gosto da sua companhia, gosto de estar com você, sinto sua falta... E sei que você também sente a minha. Seus amigos mesmo disseram que fazia tempo que eles não te viam tão feliz e satisfeito como estava ao meu lado... Mas não sei o que você espera de mim. Você sempre me deixa mal explicada e quer seguir sempre com sua má-interpretação. Mas tá sendo muito difícil, mesmo. Eu só acho que hoje mesmo não custava nada você ter considerado meu cansaço, e eu ainda quis ceder de deixar você lá sozinho, como você pôde...&lt;br /&gt; - Assim, eu acho que isso é uma questão de ética?&lt;br /&gt; - Ética?&lt;br /&gt; - É... Seria demais você dizer que eu serei seu futuro amor, e... Você vai entender, depois...&lt;br /&gt; Eu fiquei estupefada novamente em como ele respondera tudo o que eu disse com uma simples frase. E Ética? Onde havia ética ali? Existe amor ético? Aliás, amor é ético? Num misto de dor e mistério, eu me perdi num amor que eu não sabia nem se poderia se concretizar. E nele eu corria sério risco de sair ferida novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Não sei, a gente tá se batendo muito. Pelo nosso bem, talvez fosse melhor a gente dar um tempo. Pra poder pensar, pôr a cabeça no lugar... Algumas semanas...&lt;br /&gt; Meu coração se preparava para se despedaçar pela rodada final, quando ele, com aquele semblante sempre inalterável e indiferente, disse:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; - Tudo bem, se você quer assim... Você sabe meu telefone, sabe onde eu moro. É só me procurar. Mais alguma coisa? Posso ir?&lt;br /&gt; Eu não tinha mais nada a fazer a não ser abaixar e balançá-la em sinal negativo. Ele realmente ia embora e me daria o tempo que eu precisasse. Ele novamente não entendera nada do que eu falei; permanecia irredutível na sua visão, no seu egocentrismo exacerbado. As mulheres são sempre mais doces, mas como alguém podia ser assim tão insensível, sem um pingo de consideração? Minha agonia era tanta que eu não podia permitir ele ir embora sem entender tudo o que eu queria dizer. Num ato de desespero, puxei-o pela mão que pendia e o beijei. Ele recebeu meu beijo passivamente, sem temê-lo ou impedi-lo.&lt;br /&gt;Ele saiu, e eu fiquei sem saber se estava tudo bem. Aliás, eu também não entendi muitas outras coisas. Era tudo uma questão de ética... Havia na cabeça dele uma série de regras que deveriam ser seguidas. O mundo tem suas regras, a sociedade, as empresas, as famílias... Pelo visto também divergíamos nas regras; pra ele seria antiético deixá-lo sozinho lá, uma vez que havíamos chegado juntos. Isso seria o bastante para ele agarrar a primeira moça desacompanhada que passasse. Onde havia ética nisso? Porque o desejo dele vale mais que o meu? Porque sua necessidade é mais urgente que a minha? Eu abdicava da minha certeza em prol do seu divertimento e da minha desconfiança. Mas no dia seguinte, quando ele me ligasse, teria certeza que estava tudo bem. Quem era ele para vir me falar de ética? Logo ele, que não é correto em quase nada. Em amar só caberia amor e essa é a primeira não-regra para se poder quebrar todas as regras que impedem a fluidez dos sentimentos. A fatalidade que acometia o nosso amor, ainda que semente, recebia a contribuição para que ele nascesse defeituoso, e nascesse como tantos mortais, destinados às cinzas. E ele, tão racionalmente correto, do tipo de nem ter maturidade para se relacionar com confiança e cumplicidade, via em mim uma criança. Sim, daquelas crianças que têm a pureza no mais íntimo de si, que confiam, que se entregam, que gostava de rir e de se divertir pelo que haveria de mais simples... Era a minha forma de ser, e pra mim é o certo. Mas nem por isso eu me tornava irresponsável. Responsabilidade significa a capacidade de corresponder, ou mesmo recorresponder: a um sentimento, a um auxílio, a uma tafera. Eu me comunicava: mas permanecia sem resposta. – não havia correspondência. Eu seguia os meus sentimentos e deles partiam os meus limites e as minhas liberdades – mas o egoísmo dele que era grande demais para perceber isso. Eu que já estava cansada me cansei ainda mais; estava exausta e confusa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                          ***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Quando entreabri os olhos já estava claro. Esqueci o abajur aceso. Estiquei o braço até lá para apagá-lo. No meio do caminho tateei um papel que eu não deixara ali, depois dos livros. Era uma pequeno recorte de papel branco, que continha escrito: Seja ética! Olhei para o outro lado da cama, e vi que ele dormia sossegado, virado para a janela. Eu sorria contemplativa... É, acho que estava tudo bem. Mas ainda havia o que ser feito. De qualquer forma ele era um homem só, assim como eu, enquanto mulher, também o era. Éramos um consolo um para o outro; havia entrosamento, o papo era bom, o sexo também... Nos conhecíamos de uma forma legal, apesar de tudo. E eu que esboço tudo no rosto, da alegria à tristeza, posso afimar que ele talvez me conheça melhor do que eu o conheça, já que sou tão transparente. E é assim que ele se aproveita para explorar seu egoísmo em mim, dizendo que me conhece. Pra ele isso não é qualidade, e sim, vulnerabilidade. A ética dele impede que ele pense em algo além... Pobre criança, mal sabe que ainda tem todo o mundo para descobrir. Seu rosto me é familiar, mas isso não quer dizer que o lugar seguro dele é na minha cama, do meu lado. Minha confiança anda a passos lentos e por vezes recua. É como as regras dele fazem com que eu construa as minhas próprias regras. Se continuar assim, não sei se vai dar pra levar adiante. Não estou disposta a conviver com alguém assim, apesar do meu medo da solidão.&lt;br /&gt; Depois de pensar, me levantei calmamente, para não despertá-lo. Fechei a cortina em silêncio. Fui até a cozinha pegar um copo d’água... No caminho de volta, vi papel e caneta sobre a mesinha. Estavam jogados; provavelmente ele escrevera ali o bilhete para mim. Então me predispus a entrar no seu jogo para mostrar o que me interessa. Num recorte pequeno escrevi: Seja responsável! Coloquei o papelzinho no criado mudo ao seu lado, para que visse ao acordar. Voltei, sem nem se quer tocá-lo. E me coloquei na minha posição, como se dormisse. Quando realmente acordássemos estaria tudo bem, sim. Ou seria tarde demais. Mas ele voltara e isso queria dizer alguma coisa. Nossas regras estavam dispostas um ao outro e estávamos dispostas a defendê-las, cada um a sua. Por que depois de tudo ainda acho que estou certa de fato. E só o tempo diria quem o amor mataria – se a mim, se a ele ou se a si próprio. Se ele permanecesse seria mera sorte... Ou uma simples questão de tempo. Tempo o qual estávamos gastando dormindo, segundo regia a nossa alegria e o nosso cansaço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-2872155560939932039?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/2872155560939932039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=2872155560939932039' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/2872155560939932039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/2872155560939932039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/03/etica-amorosa_15.html' title='Ética amorosa'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-7950790216319692355</id><published>2009-01-27T09:26:00.000-08:00</published><updated>2009-01-27T09:27:32.623-08:00</updated><title type='text'>Fazendo moda</title><content type='html'>Você trocou de roupa;&lt;br /&gt;Usa sempre o que é próprio&lt;br /&gt;Pra ser belo e bom,&lt;br /&gt;Pra se tornar notório,&lt;br /&gt;Não a mim&lt;br /&gt;Mas a todo o resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim tão lindo&lt;br /&gt;Posso até sentir vergonha&lt;br /&gt;De você perto de mim.&lt;br /&gt;Além do que,&lt;br /&gt;Não me deixo esquecer&lt;br /&gt;Que talvez agora&lt;br /&gt;Você não esteja muito afim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade&lt;br /&gt;Ainda me dói&lt;br /&gt;Toda essa realidade,&lt;br /&gt;Mas já deixei de me importar;&lt;br /&gt;O que não me destrói,&lt;br /&gt;Me faz petrificar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estanquei aqui&lt;br /&gt;Vendo que você vai partir;&lt;br /&gt;Um beijo, me dê,&lt;br /&gt;Como se fosse&lt;br /&gt;Um verdadeiro apelo&lt;br /&gt;Ao meu primeiro último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi, você passou&lt;br /&gt;Como se não houvesse nada;&lt;br /&gt;E aí, O que restou&lt;br /&gt;Não foi nenhuma novidade;&lt;br /&gt;Você não é o primeiro&lt;br /&gt;A aderir ao seu bom gosto&lt;br /&gt;A ausência da minha parte&lt;br /&gt;E o meu adeus costumeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, meu bem!&lt;br /&gt;Você que é tão antenado&lt;br /&gt;Nem se deu conta...&lt;br /&gt;Você muito se enganou&lt;br /&gt;Se pensa assim;&lt;br /&gt;Você está desatualizado,&lt;br /&gt;Pois há muito já se tornou&lt;br /&gt;Moda esquecer de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-7950790216319692355?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/7950790216319692355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=7950790216319692355' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/7950790216319692355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/7950790216319692355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/01/fazendo-moda.html' title='Fazendo moda'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-8512072715995554669</id><published>2009-01-24T11:28:00.001-08:00</published><updated>2009-01-24T11:28:44.923-08:00</updated><title type='text'>Aparentes semelhanças</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         As cerâmicas já sentiam os passos se apressarem e ficarem mais pesados. O estresse era circular; percorria, percorria sob si o mesmo espaço, pesadamente. Até que se cansou e saiu disparado pela tangente em uma reta até chegar à cozinha. Já com a xícara na mão, puxou o banquinho com força e se sentou nervosamente, acomodando o traseiro ossudo na parte mais fofa do assento. Esquecera que precisava da água, e também do pó para fazer café. Nestas horas, qualquer acontecimento imprevisto tinha o potencial de elevar o descompasso à quadragésima potência, por mais óbvio que fosse. Ferveu mais ou menos uma vasilha com 4 dedos de água... Enquanto a vasilha girava no interior do eletrodoméstico, ele corria pro lado e pro outro quase na mesma rapidez, sem lembrar onde guardara o filtro do coador. A memória estava péssima... Mas em algum lugar lembrava-se que tinha em algum lugar da cabeça uma vaga lembrança de que não esquecera de comprar filtro de coador de café no supermercado; como da vez passada, que teve que bater na porta de Dona Marlene para pedir um filtro de papel. Dona Marlene é uma vizinha muito solícita, não se nega a nada. Mas da ultima vez que dormiram juntos – não, ela não se nega a nada – ela falou que viajaria a trabalho por uma semana. Provavelmente se tivesse que bater lá, a porta se abriria revelando um velho gordo, com o bucho pendurado sobre o pinto, usando uma samba canção que fedia, munido de um pote de biscoitos sem recheio em uma mão e um controle remoto na outra. Com a cara mais carrancuda, como quem passou muitas noites em claro trabalhando e foi interrompido durante um cochilo, responderia com dois biscoitos ainda sendo mastigados que Marlene viajara e volta não sei quando, e que ele não sabe onde ela guarda o filtro de coador de café descartável. Não, não precisava daquela cena desprezível. (Dona) Marlene não estava, era fato, mas o coador não se tinha certeza. A cabeça às vezes prega uma peça... O coador era muito mais importante que Marlene, mas não procurou entender porque ela (a droga da cabeça) resolvera lembrar de Marlene e de sua casa com cheio de cachorro molhado, enquanto um mísero pacote de filtros descartáveis para coar café, pague 8, leve 9, não era encontrado naquela cozinha minúscula. Ah, achou! A água tombou sobre o pó e o refrescou, sem pena. O café saia fácil, mas ele tinha pressa. Antes de terminar tudo voltou pro banquinho, desta vez com a xícara pela metade. Abriu um vidro fosco trabalhado, da tampa xadrez rosa e amarelo, que herdara de alguma tia já morta, onde lia-se no rótulo açúcar, e com uma paciência descomunal atolava várias colheres cheias de açúcar, como numa criança que se recusava a comer e exigia uma atitude enérgica – ou desesperada – da mãe, ou como quem obriga um grosseirão como o senhor... Seu... É, o corno, marido de Marlene, a ser menos nojento e mais delicado, como o doce ou o próprio pote. Mexeu tudo com força e com pressa... Sabia que só ia passar quando tomasse um café, quando sentisse o morno escorrer pelas paredes do esôfago, acalmando tudo, aparando tudo. Bebeu aquele café doce demais, como quem bebe garapa quente no sol do Saara. Bebeu, bebeu. Fazia constantemente os movimentos de sobe e desce da xícara até não restar nada. Sossegou um minuto, dois, quatro, sete, dez... Novamente sentiu aquela agonia inoportuna que geralmente sentia, que percorria entre os músculos e a pele, sem entrar, nem sair. Sentia muita sede e uma ânsia inexplicável de comer doces; doces, muitos doces, de todos os tipos. Se segurou por um tempo. Depois num surto repentino mandou à merda os avós e bisavós (os oito) que haviam morrido de diabetes ou com hiperglicosagem; numa tijela colocou todos os chocolates que encontrara pela casa. Comera todos em questão de um minuto. Atirou a vasilha no chão, e voltou-se novamente para o vidro cafona de açúcar. A vontade que deu foi de abrir o vidro e despejar tudo na boca, engolir tudo, como quem bebe, num único gole, sem nem mastigar. E o fez... Os grãos eram felizes enquanto caiam como se fosse purpurina reluzindo na pouca luz da cozinha. Grande parte caia pelos cantos da boca e invadiam o piso da cozinha, e entravam por buracos, frestas do pijama. Aquele homem era um açúcar vivo. E como se não bastasse correra aos berros, com a boca cheia, como o insolente vizinho corno, até a portinhola que guarda o liquidificador. Despejara no recipiente: o resto do açúcar do pote (e da boca), biscoitos velhos, mel, um resto de rapadura, geléia de damasco, pastilha de morango, polpa de tamarindo, chantilly, sorvete napolitano, leite condensado, laranja mimo do céu, iogurte de ameixa, granola, ovomaltine, leite em pó e doce de banana que a tia mandara do interior; antes amassou bem tudo com uma colher de pau, e bateu. As lâminas do liquidificador não poderiam resistir a tanta doçura. Mas seria a vida assim tão poderosa com nossa delicadeza? Quando não há quem vença, Deus joga um ou dois copo de água pra dizer quem manda. Ele queria brincar de Deus. A água desceu escorrendo em um redemoinho e tudo virou uma pasta rala de cor marrom claro. Aos prantos, puxou o copo com o equipamento ainda funcionando e tomou, tomou tudo. Tomava, e ao mesmo tempo se banhava. A papa lhe escorria pela camisa do pijama, até se engasgar sufocado com o nariz imerso na solução. Suspendeu e derramou na boca a distância, até começar a errar a mira e acertar os olhos, a testa e os cabelos. Nesta agonia jogou o copo longe, e enterrou as mãos no cabelo que já passara da hora de cortar. A moita tornou-se uma sombra marrom, úmida ao mesmo tempo que fixa. Descendo, levou as mãos ao rosto e trazendo o que restara de sua invenção de sobremesa para o resto do corpo. O mais gozado de tudo, é que toda a agonia nem passou. As pernas esticavam-se involuntariamente, como se se precipitassem numa cãimbra proporcionada pela angústia de viver. Era tudo involuntário: aquela obsessão, os pensamentos, os sentimentos, o desespero... Só era possível sentir, e em algum momento toda a fachada ia ter que cair. Agora sim! Eis alguém doce; um rapaz doce e encantador, com quem poderiam simpatizar. Ninguém sabe de nada! A loucura era necessária pra viver. É normal – para os loucos. E todos acham que sabem tudo. Quero ver ser quem ele é, quando se está assim só. Na verdade, é sempre, mas às vezes a ilusão permite a sensação que dá pra sufocar na multidão – Pelos céus, deveria haver alguém em liberdade que fosse igual a mim! Que me compreendesse minha insanidade sem levá-la de maneira tão analítica e medicinal. O sal da lágrima era só o contraste, o toque; um tempero. Ah, todas as pessoas se parecem umas com as outras; umas em algumas coisas, outras com tantas outras, em tantas outras coisas. No entanto, isso não quer dizer que elas andam juntas ou estão sincronizadas. Um coração jamais baterá como outros, nenhuma cabeça entenderá e verá o mundo como outra. A semelhança também representa diferença... Ou talvez seja o mais diferente de todas as disparidades que há. A igualdade é o princípio a tornar as pessoas tão diferentes, tão desincronizadas, tão demais: alegres demais, tristes demais, decepcionadas demais, insuportáveis demais... Grosseiras, fúteis demais; doces demais. Sofro a mim, mas haja o que houver, mundo ainda é mundo. E se moro nele em algum momento vou ter que permitir-me vivê-lo. Só não me peça pra sofrer menos – não há escolha. É apenas meu jeito de destoar do mundo e de me adequar a ele de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-8512072715995554669?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/8512072715995554669/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=8512072715995554669' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/8512072715995554669'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/8512072715995554669'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/01/aparentes-semelhanas_24.html' title='Aparentes semelhanças'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-4048565571121956895</id><published>2009-01-15T20:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-15T20:32:15.274-08:00</updated><title type='text'>Tempo de amar</title><content type='html'>"Hoje eu saio&lt;br /&gt;Para comemorar.&lt;br /&gt;Saio sem ensaio,&lt;br /&gt;Da forma que estou,&lt;br /&gt;Sem medo de quem sou&lt;br /&gt;Ou do que vão pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero olhar em cada rosto&lt;br /&gt;e dizer com um sorriso&lt;br /&gt;Que não tenho nada pra falar,&lt;br /&gt;Que não quero beijo alheio ou encosto,&lt;br /&gt;Nem competir comigo,&lt;br /&gt;Ou mesmo me desanimar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-me uma bebida, amigo,&lt;br /&gt;Ou um trago do teu cigarro;&lt;br /&gt;Quero me divertir contigo.&lt;br /&gt;Hoje ninguém impedirá.&lt;br /&gt;Estou feliz, de fato&lt;br /&gt;e quero comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo&lt;br /&gt;Todos podem ver.&lt;br /&gt;Hoje eu sou só eu,&lt;br /&gt;É em mim que confio.&lt;br /&gt;Se tu vieres, vais perceber&lt;br /&gt;Que algo bom aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida me presenteou,&lt;br /&gt;Por isso vou celebrar.&lt;br /&gt;Esqueci o que passou;&lt;br /&gt;Agora tenho coragem,&lt;br /&gt;Só resta saber se tens vontade&lt;br /&gt;De repartir desse amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, agora eu amo&lt;br /&gt;A mim e a alguém.&lt;br /&gt;Segura minha mão, amigo,&lt;br /&gt;Comemora comigo!&lt;br /&gt;Só não me seja muito atento;&lt;br /&gt;Ele pode se importar.&lt;br /&gt;Se não vieres, enfim,&lt;br /&gt;Eu compreendo,&lt;br /&gt;Mas vou mesmo assim.&lt;br /&gt;É tempo de amar,&lt;br /&gt;Não preciso de mais ninguém!&lt;br /&gt;Agora existe um bem&lt;br /&gt;Que em casa me espera voltar."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-4048565571121956895?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/4048565571121956895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=4048565571121956895' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4048565571121956895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4048565571121956895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/01/tempo-de-amar.html' title='Tempo de amar'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-6943060666280433606</id><published>2009-01-13T12:01:00.000-08:00</published><updated>2009-01-13T12:13:26.781-08:00</updated><title type='text'>Febre de Terça-Feira.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;       Nestes últimos dias ando com o corpo cansado, com a cabeça carregada; o semblante arrebatado de lágrimas exaustas. Tudo desanda; o quarto fora de ordem, cheio de pontas de cigarro, letras de canções, frases de pessoas célebres e poemas inacabados por toda parte. Roupas amontoadas, a cama desfeita há tanto tempo... Passava a maior parte do tempo deitado. Hoje me levantei um pouco melhor. Ainda que com a leve sombra que algo não ia bem. Joguei um pouco de água no rosto, os olhos vermelhos e as pálpebras pesavam, e tudo se tornava pouco a pouco mais claro, dia após dia. Voltei para o quarto sem nada mencionar e me deitei mais uma vez. Minhas costas doíam de tanto tempo sentado e deitado. Estava sedentário, precisava me movimentar, praticar algum exercício. Só assim me sentiria melhor, como também encontraria ocupação para não pensar naquelas coisas que eu tanto pensava. Peguei uma revista nova que estava na cabeceira; li dois parágrafos, mas logo me desinteressei. Resolvi por um disco no aparelho de som. Eram aquelas músicas que eu não cansava de escutar, pois embora me tocassem lá no fundo me traziam qualquer coisa de conforto. Coloquei no repeat e voltei pra casa. Aqueles olhos entreabertos se regeneravam rapidamente. Ontem mesmo choravam como os de uma criança sem a mãe; Hoje carregavam uma superação ainda mal resolvida em seus reflexos, mas sempre fortes e com algo de otimista, sem mágoas. As letras em francês diziam a mesma coisa, mas nenhuma lágrima pendia. Por vezes, o peito apertava e o ar parecia faltar. E não, não era por causa do cigarro. Apesar dos excessos, eu só tinha vinte anos. Eu funcionava a pleno vapor, meus pulmões, meu fígado, meu coração... Por um momento pensei que a velhice tivesse chegado, quando acreditei que não surgiria novo amor. Eu não conseguia amar; na verdade era só eu que é seletivo. Fiquei pensando nos acontecimentos que ainda me assombravam e um poema começava a se esboçar na minha mente. Mas tinha preguiça, não tinha coragem de me levantar e escrever aquelas loucuras silenciosas que na verdade eu gostaria de gritar em sua cara. Li um texto de uma amiga, e ele se parecia muito comigo... A moça na separação abaixara o rosto para evitar os olhos, fizera uma expressão com a boca e disse: tudo bem. Era bem eu, isso. Meus sentimentos se reuniam e ainda havia esperança. Mas naquele momento, eu só queria o silêncio e o escuro do meu quarto. Quem sabe amanhã? Estiquei-me todo e peguei uma caneta e uma folha de ofício que repousavam também na cabeceira. Aos poucos o atrito da caneta com a brancura do papel foi tomando sentido, bem como todos os meus sentimentos:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        “Faz tempo que não telefonas&lt;br /&gt;          Com saudades de minha paz,&lt;br /&gt;          Te convidando a participar&lt;br /&gt;          Do meu viver, do meu amar,&lt;br /&gt;          Como dias atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Faz tempo que não me procuras,&lt;br /&gt;          Que não me aturas, que não me escutas,&lt;br /&gt;          Como era habitual para mim na época&lt;br /&gt;          Em que para ti minha voz e minha pele eram festa,&lt;br /&gt;          Alento. Faz tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Faz tempo que não caminhas&lt;br /&gt;          Em direção às nossas lembranças, a mim,&lt;br /&gt;          Que tua vida, não mais a expões,&lt;br /&gt;          E que ela já não crê, enfim,&lt;br /&gt;          No amor, no prazer que uniu nossos corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Faz tempo que teu beijo ou teu cheiro&lt;br /&gt;          Não vem me visitar,&lt;br /&gt;          Faz tempo que tua mão&lt;br /&gt;          Não vem se encontrar&lt;br /&gt;          Com a minha&lt;br /&gt;          Como antes vinha,&lt;br /&gt;          Pôr sentimento em minha emoção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Faz tempo que teus olhos&lt;br /&gt;          Não brilham mais como antes&lt;br /&gt;          Tornando os meus também brilhantes&lt;br /&gt;          Faz tanto tempo, parecia,&lt;br /&gt;          Faz só alguns dias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Faz alguns dias que não és mais quem tu eras,&lt;br /&gt;          Mas para mim, me parece tanto tempo...&lt;br /&gt;          Encarando o firmamento,&lt;br /&gt;          Lamento por teus olhos que não vêem mais&lt;br /&gt;          – meu hábito te sujou os olhos.&lt;br /&gt;          E se hoje ainda choro,&lt;br /&gt;          É por minha culpa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Meu carinho foi em excesso;&lt;br /&gt;          Minha bondade, frágil demais;&lt;br /&gt;          E o que julguei estar certo&lt;br /&gt;          Não passava de ilusão,&lt;br /&gt;          De uma dor.&lt;br /&gt;          Se hoje tu não me amas mais,&lt;br /&gt;          Não precisa haver perdão,&lt;br /&gt;          É assim que eu pago por sentir tanto amor.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-6943060666280433606?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/6943060666280433606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=6943060666280433606' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/6943060666280433606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/6943060666280433606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/01/febre-de-tera-feira.html' title='Febre de Terça-Feira.'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-4148471741155532535</id><published>2009-01-12T09:01:00.000-08:00</published><updated>2009-01-12T09:19:50.752-08:00</updated><title type='text'>Pedido à vida</title><content type='html'>Dentre as todas as coisas que existem no mundo e as que machucam, as que mais nos doem são aquelas que não existem. O vento mais gelado é aquele que sopra de nossa solidão; o fogo que mais nos consome é aquele que arde por dentro, no âmago do coração. O beijo que mais faz falta é o nunca dado; a espera mais dolorida é aquela que nunca virá; o barulho mais ensurdecedor é o silêncio da alma, e a palavra mais dilaceradora é aquela nunca antes proferida, nunca antes pronunciada. O pior perfume é do inodoro; o pior gosto é do insípido. O olhar mais desejado é o daqueles olhos que se teimam em estarem cegos; a mentira mais arrebatadora é a mais sincera; a voz mais agressiva é a que se cala; a lágrima mais sofrida é a dos olhos secos, que não sabem chorar. A pior falta de ar é a dos que se sufocam com o próprio ar que nos alimenta; o toque que mais machuca é o tato recusado; a mão mais ameaçadora é aquela distante, que não se move; a pior dor é a que se não se sente, que se sofre sem doer, sozinho... O amor que mais dói é aquele que nunca se realizará. Somente o ser humano é capaz de dar origem a criações que nunca se concretizarão num mundo onde a realização pode florescer fácil em qualquer solo - pois entre as flores também há o mato, que invade os jardins e os campos. Ilusão se ergue do nada, como também do nada surge o tudo. Quando desmoronar a vista estará clara e minha testa calma. É quando perguntarei: como evitar novamente? Ficarei mudo, sem resposta. Mutilar-se é o único modo de se matar o que não existe - pouco a pouco, bem como o que existe. A ilusão é uma morte que se morre aos poucos, até que a maior delas se desfaça junto ao nossos ossos. É dentre as coisas mais lindas que existem e as mais tristes, as mais belas são justamente aquelas que se sustentam na existência e as mais tristes são as que não existem, que deixaram de existir e que nunca existirão. E o mais triste de tudo não é a desistência de viver ou a renegação da vida. É que viver e existir são sempre tão certos, sempre tão bonitos, sempre tão sinceros. E me dá muita pena não viver e não poder ver o que existe, não existir e não poder ver o que é viver, até deixar de viver e ver o que não pude ser vivido e existido. No entanto, vivo, ainda que triste, pois tenho um mundo para ver - e viver. Vida, deixa-me viver; ainda que eu esteja existindo certo de que algumas das coisas que pra mim são tão mais lindas que todas as outras no mundo não virão a existir jamais e eu não virei a vivê-las mais uma vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-4148471741155532535?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/4148471741155532535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=4148471741155532535' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4148471741155532535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/4148471741155532535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2009/01/pedido-vida.html' title='Pedido à vida'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-5317240351465044318</id><published>2008-11-05T19:33:00.000-08:00</published><updated>2008-11-05T19:41:00.598-08:00</updated><title type='text'>Uma dose de Tanqueray, por favor.</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Não estamos mais trabalhando com Gins nacionais... Temos alguns importados, Tanqueray...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– Tanqueray é bom!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– É sim, é realmente muito bom, Senhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– Ah, eu vou pedir uma cerveja... Me vê uma Bohemia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– Hum... Eu vou querer uma dose de Tanqueray, por favor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;– Ok.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Meu gim chegou rápido. O mais demorado não foi esperá-lo, foi esperar que ela me dissesse alguma coisa. Combináramos pelos nossos perfumes não mencionados que a noite seria densa. Nada fora dito, nem mesmo o nome do perfume. Eu perguntara qual o perfume que você usa? E ela respondeu não se diz o nome de perfume pra ninguém, ninguém precisa ter um cheiro igual ao seu. Olhei de banda; era só mais uma das alfinetadas que eu levara nas últimas vezes que nos encontramos. Mais cedo ela me contara a história de um filme que vira na televisão, e entre filmes e filmes chegou a minha vez de contar uma história, e aí eu fora surpreendido bruscamente por uma interrupção, dita: ah, não precisa contar não, odeio ouvir história de filme. Farta, a idéia era válida pela sinceridade, por que ninguém precisa ouvir o que não quer. Mas acho que eu também não preciso passar pela mesma situação. É constrangedor para uma pessoa como eu que sempre tivera educação na hora de falar com alguém, e mais ainda, que ao procurar um relacionamento sempre tento mostrar o melhor lado meu. Às vezes, ouço o que não quero; muitas vezes por não querer me dar ao trabalho de mudar a estação do rádio, às vezes pois por mais que me incomode eu penso não haver nada melhor para ouvir, ou que há algo no que há de mais podre ou exótico que possa me seduzir por um tipo paixão nunca antes experimentada. Não aquelas paixões devastadoras, nas quais eu morria de amores, escrevendo textos, me debruçando lacrimosamente em travesseiros e canções; uma paixão comedida, rendida a um vício que tornaríamos nós dois partes comuns, que na diferença são semelhantes, e que no meio de tudo haveria um motivo que me convenceria a ceder ao comedimento cômodo. Uma paixão regrada de vida... Porém sempre doce, como outra paixão. Eu, que sempre fora pacífico ao me comportar, estranhei a forma que ela saía se expondo, sem medo que eu não me desinteressasse. Se expunha tanto que muitas vezes me atropelava enquanto eu falava, para falar uma segunda coisa que na cabeça dela era mais urgente. De outras vezes eu falava e falava e no final eu percebia que ela não estava escutando nada – tinha a atenção largada. E nessa falta de atenção morava um tipo de insensibilidade que era voltada para si mesma. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A bebida ainda estava viva no sangue, e o fígado processava com lentidão. Já era o segundo bar da noite. Este estava mais agradável, gente bonita, música boa... Mas o &lt;i style=""&gt;rendez-vous &lt;/i&gt;que aparentemente ia bem, estava dependurado num abismo entre nós. A mesa de canto, com nós em cada ponta impunha uma distância ainda maior. Eu já tinha pensado em tudo, mas não cheguei à conclusão nenhuma, de forma que esperamos as bebidas silenciados. O que mais incomodava era o silêncio nosso e o ruído alheio, mas eu já nem estava mais disposto a falar. Tive coisas demasiadamente chatas para poder me reanimar. E eu já esquecia de educação aprendida ou adquirida. Quando meu gim aterrizou na mesa foi o assunto para quebrar o gelo. Eu só tomara gim uma vez antes, e por sinal eu estava com ela. Fora o Seager’s que ela queria beber, mas não tinha naquele bar. Eu inclinei o copo nos lábios e o gosto de Tanqueray tinha o mesmo gosto de Seager’s, que tinha o provável gosto que têm todas as outras marcas de gim. Era um perfuminho fraco, diluído, mas forte; nada mais. De qualquer forma era álcool, e àquela hora, antes de dormir, era só do que eu precisava. Confesso que eu também queria um cigarro. Mas a por enquanto a bebida me bastava, aquele gim igual a tanto outros.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;É preciso saber se apreciar os líquidos. Mas no fundo, aquelas cervejas, vodcas e whiskys eram todos iguais, ainda que houvesse discussões infrutíferas dos usuários assíduos que marca tal é melhor que outra. No fundo eram apenas formas distintas de se preparar ludíbrios para afastar preocupações e trazer alegrias efêmeras, tão efêmeras como aquelas mulheres vis que se deitam em lençóis tão sujos de tanto serem lavados. Eram líquidos diferentes, mas que eram todos iguais, assim como aquelas mulheres que não passavam de mulheres, as quais eram fáceis de se conseguir sexo. E quando eu a conheci eu não tinha nenhuma outra intenção a não ser levá-la para a cama, o que aconteceu facilmente no primeiro encontro. Depois de tudo ficaram palavras sobreditas, e aí é que não deu pra ficar sem mencionar nada, a comunicação é necessária entre as pessoas. Um diálogo pôde ser estabelecido. Havia, no entanto, erros de interpretação e de emissão de informações, e sempre alguém permanecia carente de uma resposta ou ação. Eu engolia à seco enquanto ela já não parecia ligar ou estava sempre disposta a perdoar, ou era imune. Sua forma de ser insensível impedia que ela tivesse até mesmo o orgulho ferido! Qualquer farpa retribuída era repelida, soava distante; era imunizada, aquela mulher que não se permitia ferir-se, enquanto o mundo se ofende, quer vingança e ironiza. Pra ela só bastava a felicidade, o prazer, a alegria – que digeriria tudo. E não havia bondade alguma nisso, pois ela também não fazia questão de ser amiga. Talvez fosse otimismo misturado a uma auto-bondade extravagante. Mas já eu por pensamentos e por algo que me rege em atitudes, que procurara tanto a sinceridade, encontrei uma pessoa corruptuosamente sincera, e que me flexionara a questionar-me se haveria necessidade ou se eu estava me contradizendo, depois vindo a perguntar se eu tentava dar certo ou estava acomodado com encontros tão freqüentes, quase sempre certos da intensidade. Talvez se houvesse incerteza, não dar muita corda, talvez eu conquistasse um território novo a mais... Ou perdesse todas as fichas. O problema todo é que eu me vi muito criança nisso tudo e talvez ela impertinentemente quisesse me ensinar e eu orgulhosamente quisesse recusar a ajuda. Eu fujo dos joguinhos de amores, de solta e puxa, de larga e pega, e tentava algo sólido e o incrível é que a resposta vinha e nós avançamos, e já não nos limitávamos à cama. Não bem a uma cama, mas ao leito, ao berço; este seria um segundo problema, que revelava que havia algo a ser dito em pleno silêncio. Realmente ali era um lugar seguro, onde quer que nos deitemos, na cama, no banco do carro, na areia da praia, na grama do mundo... Porém, a dificuldade toda é que ela estava tendo dificuldades em ser somente a fêmea da cama... E eu em ser seu macho. Por vezes pareceu quase me utilizar, pois talvez fosse a maneira mais fácil e eficaz de lidar comigo. O prazer é muito mais simples e mais satisfatório. Ela mesmo que o disse. Eu tive que concordar, ainda que nem sempre uma tacada certeira não seja exatamente suficiente. O difícil era o que chamava o prazer, pois os dois tendiam a um estado sobre-humano, sobre-animal, para rever os sentimentos enterrados de outras eras por debaixo dos lençóis e da roupa suja.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Ela quebrara o silêncio dizendo que estava longe demais, que eu deveria sentar mais perto. Mas o garçom vetara minha aproximação por que eu iria atrapalhar a passagem. Não tive culpa, mas ela se ressentiu. Depois uma outra mesa ficou livre, e eu disse poderíamos ficar naquela, dava pra ficar mais junto. Desta vez quem vetara fora ela, e quem se ressentira fora eu. Àquela noite em especial marcamos inconscientemente um com o outro uma troca incessante de farpas e provocações. Um intercâmbio de aparente falta de interesse um no outro, como se ninguém tendesse a se comprometer, aos moldes dos velhos charmes que não rendiam nada, que eu tentava evitar. Já depois, engraçada, insistiu para saber o meu perfume. E para honrar o par, não caberia acatar simplesmente, pois ainda que tosco ainda havia orgulho. Não cedo tão fácil por que não sei ser imune e por ventura posso me sentir idiota por alguns minutos. Seria infantilidade dos dois lados, e quem diria que aquilo mantinha os dois ali sem mover um pé para ir embora pra casa. No fim poderíamos sair os dois perdedores, ou parar agora para vencermos juntos. E no fundo perfumes continuarão a ser sempre perfumes sejam quais nomes eles carreguem e as bebidas permanecerão em suas garrafas, como não deve ser. Sua indelicadeza bruta e mineral tinha certo fundamento no real, e mesmo inconseqüente e desconhecido eu era aluno e ela a professora, como também não era em vão cada palavra que eu deixava a ser absorvida e eu ficava em dúvida sem saber se a falta de atenção era a atenção plena, e eu a magoava profundamente ao alfinetar que ela é dispersa demais e não prestava atenção no que digo. Ela sorria, e dizia não fica com raiva de mim, e me tocava. Eu dizia que não estou com raiva e ela sossega. Talvez eu entenda sua mensagem tão bem mal-interpretada por mim que me perdoe ou permaneça rígida sem nem notar que eu demonstrei uma ponta de sentimentalidade ou de cinismo. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Agora ela se queixara do meu semblante. Disse você tem que estar com sua melhor cara para sair. Me abismou a exigência expressa que eu deveria estar sorrindo para vê-la, mesmo depois de uma semana atribulada. Reagi e ela respondeu que também teve compromissos... O gosto daquilo tudo descia junto com Tanqueray, não maravilhosamente como esperei. Beber perfume não é lá muito agradável, ainda mais com acompanhamento condimentado demais. Mais do que nunca eu queria um cigarro agora; lembrei que ela era ex-fumante, e minha indignação ia a ponto de que seria legal dar uma baforada de fumaça na cara dela e dizer para ela voltar num táxi... Só pra entender o que ela faria – mas sei, faria a cara de incógnita que tem, assustada com a possibilidade de eu não ligá-la daqui a dois ou três dias. Pra não ser sincera sempre, ela me olhava com um olhar desprotegido e se calava, engolindo seco. Não sei que gosto teria aquela saliva, ainda que já tenha experimentado-a. Ela não expressava medo falando, nem perdão. O gosto condiz com o paladar e com a forma de sentir, e eu poderia sentir o dia mais intenso. O que mudava é que eu me perdia pensando nas coisas, aí era quando ela prestava mais atenção em mim. E ela também tinha essa mania de se perder, e não ouvia o que eu falava, ou me atropelava com outros assuntos; me esqueceu. Eu me doava muito mais, e ela permanecia como uma diva inconseqüente que nem perdão pedia. Ela também costumava se perder no vácuo do ar – mas eu entendia. Eu não era compreendido. Até aí era onde eu entendia e ela não. Dissera infantilmente: cresça, querido. E isso me irritou profundamente como tudo: ela tinha mil coisas que me desencantavam incrivelmente; mas ainda assim havia qualquer outra coisa maior que tudo isso e que me interessava e me fazia discutir um relacionamento que nem existe. E ela sabia disso, pois eu fora sincero e lhe disse – Ela rira e dissera ainda bem! No fundo nos dávamos bem; éramos só amigos que se apoiavam, se abasteciam da sensualidade um do outro, negadas pelos demais. Somos as partes perdidas, ímpares, únicas... O choque era muita vida junta, se destruindo de tanta grandeza. Éramos quase que autodestruições que se relacionavam... A diferença é que ela era mais simples. Enquanto eu sonhava em realizações, sonhos e sentimentos ela queria ganhar dinheiro para ter o prazer dos prazeres, queria beber todos os dias e embebedada ouvir música, ficar nua dentro do carro, na rua. Eu representava a complexidade do comportamento, do metódico, que ela insistia em querer transformar. Ela quem disse querer me transformar, coisa que eu nunca entendi, por que elas poderiam já encontrar os caras prontos e apenas tê-los. Ainda mais que de cada palavra herdávamos muito além dos sons emitidos. Sou um rapaz tranqüilo e tenho meus preceitos e de certa forma tudo isso não importava muito a ela. Era sempre certa, sempre madura, caída em plena pista de dança. Era um tanto de egoísmo... Ela é egocêntrica sim - criança. Sempre tentava agradar, fazer as pessoas se sentirem bem, pensando mais no que me rege que na educação... Ela própria quis dizer que eu estava errado. Pela primeira vez acho que ela acertou em algo. Mas eu sou assim e ela era daquele misto de um si que não se envolve. Era a forma que tinha de se defender – desnomear o olfato e o gosto. Tanto fazia inspirar ou ingerir, desde que a noite fosse fria e as luzes quentes, com gente passando e cheirando a desnomes de perfumes e bebidas tão embriagantes quanto a dor dos desiludidos e daqueles que têm noites melancólicas em seus ninhos. Ela era viva e jovem e eu já tinha os anos avançados no tempo que eu levei pensando em quem ela era de verdade. Enquanto eu pensava, ela foi vivendo, vendo pessoas passarem; dois amigos brindaram, um casal de lésbicas se afagou disfarçadamente por debaixo da mesa, um grupo de amigos dançou onde não havia ninguém... Meus olhos foram pesando cada vez mais, e ela foi se incomodando. Eu tive certa culpa, confesso. Não era fácil ser eu. Tive que pedir desculpas por ter feito o que eu tive que fazer, mas eu era sempre eu, assim como ela era sempre ela. Mas ela não se desculpara... Sua imobilidade e sua mudança de assunto era a deixa que ela ignorou e continuou como se nada houvesse acontecido. Ela engolira a seco, agora... O orgulho, o egoísmo, o vício. E eu também quis deixar meu orgulho de lado. Assim foi possível mudar de assunto; rompeu-se naturalmente o silêncio, como começou.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Depois de conversas sinceras resolvemos pedir a conta e ir para casa. Meus olhos pesavam e eu dirigi assim pesadamente até chegar em casa, com aquela vontade grande de me entregar ao sono. Era a primeira saída que saíamos sem ir para a cama depois de beber... Era um avanço; ou um retrocesso. Não sei se vê-la seria mais ou menos interessante do que antes, a partir de agora. Quando estacionei o carro na frente de seu prédio e olhei nos olhos maquiados eu lembrei que era bom beijá-los. Estava silêncio novamente. Amanhã tínhamos uma festa marcada, portanto seria breve o próximo encontro. Depois de depois já era uma outra história. Por amostragem, era certo que os próximos encontros seriam como hoje, se existissem. Estávamos dispostos a continuar nos encontrando, como também estávamos dispostos a continuar a ser quem somos. Não era uma questão de ceder, mas que mesmo na semelhança éramos diferentes. Mas até que ponto isso importava? Que besteira minha de que os pares devem ser iguais, que o amor deve ser ardente e efusivo, como se fosse acabar amanhã, que a correspondência tinha que ser necessariamente gêmea à pergunta para dar certo. De qualquer forma continuaríamos a ter nossas diferenças e nossas igualdades. Era um fato que algum dia não iremos nos encontrar mais; ele chegaria anunciado e saberemos o que aquilo quererá dizer. Mas até lá podemos nos envolver de forma tal que não quereremos dizer adeus, ou podemos nos envolver nesses problemas que se repetirão sem cessar, e nós diremos que foi feito o que teve de ser feito. Tolice, talvez, eu permitir que tudo aconteça sem compromisso, embora com aviso prévio. Ah, ela já está informada... Seria mais covardia estar com alguém por que não se tem ninguém, por comodismo. Mas eu já reparara que era mais: dentre as tantas coisas que me fariam desencantar dela havia algo maior que superava o que havia. Ela era simples, era a vida intensa, a sinceridade, era a música, era a beleza peculiar que se mostra só pra si. Era ela dançando nua no espelho, do outro lado da vida. Não era o sonho, era a vida – como ela é. É a mulher... É uma mulher, que poderia ir além da cama. Era criança, gente que nem eu. Não, ela teria os mesmos problemas, como eu. E só assim seríamos o que nos cabe ser, até o momento que é nosso por direito natural. Daquelas discórdias terei demais... Mas por enquanto aquela noite me bastava. Daqui há quatro ou cinco dias eu sentiria necessidade de telefonar de novo, mesmo que só pra saber se está tudo bem. E sei que ela estaria feliz em ver meu telefone aparecer no identificador de chamadas. Nos encaminhávamos para um namoro, e eu já pedira desculpas antecipadamente pois não sei se seria capaz de me comprometer. Como eu direi, é a experiência pra saber se vale a pena. Valerá algo ou não, mas enquanto vale o que é, na intensidade que lhe coube existir, foi suficiente. Disse que não queria machucá-la; ela perguntara como. Eu não sei dizer... Mas desculpa por ter sentido sono. Amanhã dormirei pela tarde, e estarei bem esperto à noite! Ela sorriu e me desculpou... Ela nunca fala nada quando desculpa, simplesmente se cala, imóvel, ou muda de assunto. Não havia o que perdoar; éramos dois adultos e queríamos ambos estar ali. Que tolice... Fez-se silêncio de novo. Ela me abraçou e disse você deveria passar mais perfume aqui, tocando o centro do meu peito, por cima da camisa. Eu mencionara os locais estratégicos que eu passara perfume, mas ela já não estava escutando. Passaram-se uns dois segundos e eu tinha certeza que ela não lembrava de uma só palavra que eu acabara de dizer. Tinha perca de memória recente, como diriam. Mas mesmo acho que ela só não queria saber das coisas fúteis e sem valor, que não acrescentariam nada. Se não queria lembrar-se, não precisava começar a aprender – por isso que também ela não foi embora. Pra ela não era encantador ou importante saber tocar violão, falar francês ou escrever poemas, como para outras mulheres que vejo por aí. Pra ela só basta saber viver intensamente, na companhia um do outro. E eu me ofendia em vão, pois ali estava uma vida intensa como ela só. A procura tão exaustiva por vezes pode confundir o desejo. Mas se ele parece tão insatisfeito talvez não tenha sido suprido... E daí? Estou aprendendo a perdoar o que não precisa de perdão. Não se perdoa ninguém por ela ser quem é, nem por querer o que quer. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Estávamos no carro, parados; duas crianças aprendendo a crescer, brincando de serem adultas. Por enquanto, é o momento que nos cabe. Por enquanto, aquilo estava bem. Mas até quando? Silêncio; depois de até amanhã, fizera-se silêncio, daquele freqüente a noite inteira. Mas já nos perdoamos por nossa infantilidade e nossa velhice. E deixando-as a parte, os locais onde se passa perfume são tão inúteis quanto os locais de se colocar bebida; tanto faz tomá-los ou cheirá-los. Ao fim e ao cabo são finos modos de mostrar que a água pura pode não matar a sede, uma sede criada por aqueles que morriam secos de tédio ou de desamor, buscando reaver a vida; esqueceram-se de si; eram meros líquidos, como éramos pessoas com meros sentimentos e sensações. Mas vidas... Não haveria outras como aquelas... Já não havia problemas, e o cansaço daqueles segundos era agotador. O ruído calado me irritou de novo, mas ela não notou que as estrelas do céu mudaram um pouquinho de posição. Bebamos a vida, cheiremos a vida. Mais uma dose! E antes que tivéssemos qualquer coisa que não o agora, fiz o que tive de fazer. Passei a mão pela sua nuca para puxar a cabeça e avancei naquela boca silenciosa que me chamava; eram emudecidas, eu e ela, no silêncio final, que nos satisfaria plenamente como a música que estaríamos predestinados a dançar juntos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-5317240351465044318?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/5317240351465044318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=5317240351465044318' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/5317240351465044318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/5317240351465044318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2008/11/uma-dose-de-tanqueray-por-favor.html' title='Uma dose de Tanqueray, por favor.'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5749117538367894368.post-1762651861089478138</id><published>2008-10-23T17:15:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T18:08:02.449-07:00</updated><title type='text'>Do começo e do fim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;     Um universo é conhecido especialmente por ser magnanimamente desconhecido. Nesse desconhecido cabe existir coisas diversas, dentre as quais a maioria delas são tão desconhecidas como o próprio universo. Talvez sejam elas também universos, assim como aquele que lhes serve de casa. Mistério por mistério; seria inviável que cada um se sustentasse independentemente - seria orgulho demais para um simples enigma. Dentro de cada segredo se escondem segredos maiores, que guardam outros mais essenciais, e que guardam outros mais primordiais, antes do antes. Até chegar a um segredo que não é segredo nenhum, é a verdade simples e complexa como ela só: simplesmente é.  Existe por conta própria na suspenção do ar sobre um espaço que de tão grande não existe. Seria impossível imaginar um espaço tão enorme que coubessem todo um universo sem fim, como também seria imaginar que o universo tenha paredes da cor do nada, limitando-se a uma caixa irregular. Seria o mesmo que afirmar que toda uma pessoa - qualidades, paixões, lembranças, sentimentos, lágrimas, saudades, dons, vontades, liberdades, amizades, sentidos... - cabe dentro de um corpo sólido que no fim de tudo se cansa da fantasia de viver, e desiste de tudo para ser nada. Seria maldade demais do que quer que for que nos permite viver. Somos todos grandes, somos todos ilimitados - somos todos universos; que aprendem, que amam, que a todo instante nascem e renascem, se transformando na própria energia que nos ergueu.&lt;br /&gt;      Por isso começar pode ser confundido com terminar. Há quem diga que as duas coisas são opostas, mas as vejo muito sinônimas. É parecido com chegar e partir... Hoje lembrei que uma conhecida minha estava de viagem marcada para amanhã. Meio envergonhado da pouca intimidade que temos, lhe telefonei para desejar uma boa viagem. E foi incrível a satisfação com que meus ouvidos escutaram a sua voz tão alegre e feliz com a minha lembrança. Ela partia, junto com seu  universo para uma terra distante, sem nem saber se voltaria. Aqui deixaria um pedaço de si... A medida que dava um grande passo em busca de uma nova parte sua que nunca antes fizera parte dela. E necessariamente o fim da vida dela nesta cidade não representa o fim, mas talvez o começo. Como a chegada dela a seu destino pode ser tida como a cena que desfecha toda sua trajetória enquanto humana.&lt;br /&gt;       Esse texto pode ser o começo deste blog, como também pode ser o fim. Se um dia ele  acabar, você que lê saberá que minha despedida está aqui. Saberei enfim quando houver um tempo em que o sentido seja certo quanto às falhas e às certezas. Mas tudo isso aqui nem é nada... É apenas um meio de exprimir o que um universo diz - um universo como tantos outros: que pensa, que sente, que se cala, que se expressa, que diz com um olhar, que dá um sorriso para permitir entender. Um universo tão simples como só ele mas em especial, dissoluto, que preza a liberdade muitas vezes até em excesso. Um universo libertiginoso, que por ser livre demais, se prende; por ser selvagem em excesso, se pacifica; por ser vil de tudo, ama.&lt;br /&gt;      Somos todos universos, presos libertados. Além do mais, somos a intriga do universo que nos rege. Somos todos de um todo. Que quem sabe queria dizer um. Sempre me intrigou a semelhança entre um átomo e uma galáxia. Um átomo representa uma massa de prótons, na qual em órbita giram elétrons... Numa galáxia, planetas giram em órbita em volta de uma estrela. A única diferença de tudo é o tamanho. Como se pequeno ou grande fizesse diferença, assim como começar e terminar, chegar e partir. Como criança, imagino que talvez sejamos todos um pequeno átomo de um gigante qualquer. Mas quem seria esse gigante? Deus? Ah, acho que já estou indo longe demais... Que liberdade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Liberdade pra mim é pouco. O que eu quero ainda não tem nome" (Clarice Lispector)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5749117538367894368-1762651861089478138?l=universodissoluto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://universodissoluto.blogspot.com/feeds/1762651861089478138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5749117538367894368&amp;postID=1762651861089478138' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/1762651861089478138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5749117538367894368/posts/default/1762651861089478138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://universodissoluto.blogspot.com/2008/10/do-comeo-e-do-fim.html' title='Do começo e do fim'/><author><name>Milton Raulino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-IJwPZG7WzY4/TgOur7ykPaI/AAAAAAAAAKM/xtM226e7zIM/s220/fsdsdsd.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry></feed>
